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segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Carta ao meu melhor amigo


"Hoje tomei minha primeira chuva da Primavera. Eu nunca te contei, mas pra mim essa primeira chuva é um momento meio mágico, uma espécie de ritual de passagem, como se o Céu olhasse pra Terra e dissesse "Certo, agora vamos trazer a fertilidade de volta a natureza".
Esse ano essa chuva foi ainda mais especial para mim, porque além de celebrar o renascimento da Terra ela também marcou o primeiro dia em que realmente voltei a sentir vontade de sorrir.
As coisas não estão fáceis, como diria Shakira "Aqui todo está peor/Pero al menos aún respiro", mas sinto que fiz o que era certo, que tomei a melhor decisão e, pelo menos, não perdi um grande amigo.
Apenas não é nada fácil seguir em frente.
Dói, monstruosamente, as vezes parece que não vou conseguir mais respirar, nem dar mais um passo sequer, mas nessas horas lembro que não seria justo, nem comigo nem com você, desistir agora.
Desisti do caminho mais fácil por aquele que trará uma colheita mais fértil e feliz, para mim e para você. Sei que agora você me entende e, estranhamente, saber que não sou a única a sofrer nesse momento, tem ajudado a seguir em frente.
Que a chuva de hoje tenha trazido renascimento e novo ânimo para você também. Sei que seremos felizes, é só acreditar e ter paciência.

Que os Deuses te abençõem e cuidem de ti.
Muitos beijos, com todo meu amor."

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Thank You



Uma vez alguém me disse que a maior viagem a ser feita era aquela para dentro de si mesmo. Eu lembro de rir e pensar que isso era bobagem, pois com tanta terra e com tanta coisa para conhecer mundo afora, porque diabos a maior viagem seria para dentro de mim?
Porque essa é realmente a maior viagem. Pode não ser a melhor, com certeza não é a mais divertida e muito menos a mais cômoda, mas certamente é a maior. Olhar para dentro, se ver sem os véus que colocamos entre nós e o resto do mundo, olhar suas cicatrizes, suas feridas e seus medos.
Olhar de verdade e ver que algumas feridas que achamos que eram meros arranhões gangrenaram e precisam ser extirpadas, levando um pouco da gente junto.
Finalmente admitir que uma mera frase, que disseram quando éramos crianças e que fingimos que não nos importou na verdade ecoa até hoje, foi pintada, rabiscada, rasurada e marcada a fogo dentro da gente e está ali até agora, nos guiando e assombrando.
É duro, é doloroso, algumas pessoas podem achar besteira mexermos nisso agora, porque afinal, para que mexer nisso se não vai apagar os velhos traumas? Ouvi isso e fiquei me perguntando esses dias, até que entendi a razão.
Não meu amor, não vai apagar trauma algum, mas vai me fazer olhar de frente o meu medo, e ver que hoje eu posso perdoar quem me machucou e seguir em frente. Não me apegando mais ao mal que me foi causado, mas sim ao amor dado.
Porque eles são humanos, tão humanos que erraram ao tentar me tornar uma pessoa melhor. Eles me machucaram sem querer, não era de jeito algum a intenção deles me fazer crer que eu não sirvo para nada, apenas eu sou mais frágil que algumas pessoas e, o que serviria de adubo para alguns, foi meu veneno.
Eu não morri, eu enfraqueci. Por muito tempo, eu concordo, mas a duração dessa febre foi apenas porque eu não consegui olhar para dentro e ver as minhas qualidades.
Não vou dizer que sou perfeita. Estou longe disso graças aos Deuses! Mas hoje eu sei que não sou nada desprezível, que não sou inútil e que, mesmo que para poucas pessoas, eu faria uma grande falta.
Eu tenho dois amigos-irmãos maravilhosos, que me apóiam e me amam, mesmo eu sendo o ser imperfeito que eu sou e, se tem algo que tem ajudado muito nesses momentos são essas palavras:

“Só vou falar o quanto eu te amo, o quanto você sempre foi uma irmã perfeita para mim mesmo tendo defeitos, você me disse o que eu não queria ouvir muitas vezes nós até nos estranhamos, mas eu realmente não sei o que seria do nosso grupo sem você e quer saber na minha opinião você é uma mulher linda, uma bruxa poderosa, uma amiga fiel, uma pessoa honrada e que qualquer um com um pouco de sobriedade admiraria, mas a verdade é que tem muita gente triste e frustrada por ai, muita gente incapaz de aceitar a grandeza dos outros e muita gente que apenas não gosta da gente, não vamos conseguir nunca agradar a todos e é bem mais fácil falar do que aceitar isso, eu que o diga.”

Agradeço do fundo do meu coração a Fran por ter escrito isso no momento em que eu mais precisava saber que era amada, querida e necessária.
Agradeço muito também ao Zé, por ter me acolhido tão depressa na sua vida, por nunca perder a paciência quando eu dou minhas espetadas escorpianas e por me fazer rir como a criança que eu não me permitia ser há muito tempo.
Amo vocês, me sinto abençoada e honrada por ter duas pessoas tão maravilhosas como meus irmãos. A Tamires de um mês atrás diria que não era digna de irmãos tão bons, mas a Tamires de hoje, que vocês ajudaram a amadurecer e crescer, diz apenas que é muito feliz por ser irmã de vocês.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Feliz Aniversário!


Porque hoje é aniversário de um grande amigo, o Felipe.
Uma amizade daquelas que aconteceriam, nós dois querendo ou não. O conheci ano passado, quando ainda dava aula na barca furada quer era o MSU Aricanduva, conversamos só uma vez, por cerca de uma hora, mas falamos tanto e sobre coisas tão pessoais que quando ele me falou que ia prestar história no final do ano eu fiquei cruzando os dedos pra ele passar.
Depois disso perdemos contato, ele parou de dar aula de biologia porque queria se dedicar a apenas estudar e em novembro eu também caí fora.
Quando a lista de aprovados da Fuvest 2008 saiu lá fui eu olhar pra ver se algum Felipe havia passado, para minha surpresa havia sim, ou melhor, haviam e eram três. Lembrei que ele me disse que era filho de portugueses (aha! por isso da bandeira né? é, e também pq eu não tenho foto dele ¬¬) e fui lá procurar qual sobrenome me parecia mais português, até tinha um, mas era um rapaz que tinha orkut (sim, creiam, o Felipe não tem orkut) e nem de longe parecia com o rapaz que eu conhecia.
Esperei até as aulas começarem e na aula de Ibérica I (pq eu reprovei no meu primeiro semestre hehe) lá estava um rapaz que parecia com o Felipe que eu conheci, mas foi só na semana seguinte que eu fui até ele cumprimenta-lo e descobri que ele era sim o Felipe que eu conhecia.
Daí pra frente foram muitas conversas, algumas cervejas, inúmeras caronas e incontáveis bilhetes durante seminários. Nesse semestre não estamos fazendo nenhuma matéria juntos, o que dificulta o contato, mas ainda assim a amizade permanece a mesma e meus desejos de felicidade são os mais sinceros.
As propostas de assassinar a ex e amarrar uma amiga minha nele também huahuahua

Enfim:
Feliz Aniversário Felipe!

P.S: Quando eu mudar pro CRUSP vou cobrar a festa de inauguração viu? Pode deixar que eu chamo todas as minhas amigas bonitas! hehehe

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Amizade - gratuita e sem outras intenções

Conversas que giram entre namoros que deram errado, meninas neuróticas, solidão, suicídio, depressão, sexo, bebedeiras, Bjork, trilhas sonoras legais, filmes de Clint Eastwood, sexo, pessoas estranhas andando na rua, “vamos atropelar alguém”, provas e trabalhos, falar mal de gente que conhecemos, família e faculdade.
Engraçado, quando o conheci ele era uma pessoa muito mais quieta e estava bem mal, mas ainda assim nossa identificação foi imediata e falamos sobre coisas meio barra pesada, tipo suicídio e auto-flagelação, tudo naturalmente, acho que sacamos logo que ali estava alguém que entenderia tudo o que tínhamos pra dizer. Soube que ele ia prestar vestibular pro curso que eu já estava fazendo, desejei sorte e que dali alguns meses, eu pudesse sujá-lo um pouco de tinta.
Meses se passaram, não tive mais notícias, não peguei e-mail, telefone e só sabia seu primeiro nome, deixei as coisas seguirem. Saiu o resultado do vestibular, tinha uns quatro caras com o mesmo nome e, sem o sobrenome, não consegui descobrir se havia passado ou não, me restou torcer pra encontrá-lo algum dia.
Primeira aula de Ibérica desse ano, vi de longe e não tive certeza, também não veio falar comigo, achei que tinha me enganado.
Segunda aula, tinha que arranjar algum grupo de seminário, não agüentei e fui perguntar se ele era quem eu estava pensando, não só era, como também lembrava de mim. Sentei ao seu lado e logo fui apresentada para um outro rapaz, tão sem grupo quanto nós e, aos poucos, fomos arrecadando gente pro nosso grupo.
Semana seguinte, aula e mais conversas, biblioteca e depois perder a hora da aula conversando no estacionamento, final da história, novamente trazida em casa e no dia seguinte, matar aula pra ir a cervejada com ele e o outro moço tão-sem-grupo-quanto-nós. Risadas e mais risadas e ser deixada na porta de casa depois da meia noite.
Rotina de conversas cada vez maiores, apresentar amigas solteiras pra ele, torcer pra dar certo e consolar quando deu errado, ajudar a achar livros na biblioteca e trocar bilhetes durante os seminários pra espantar o tédio.
Durante as conversas, a sensação de que, ali estava alguém que nos entendia muito bem, que passava por muitos conflitos parecidos, que tinha altos e baixos (profundos), que se apaixonou e sofreu, que estava apaixonada e feliz, que não tinham uma vida perfeita, que muita coisa podia ser melhorada, mas que ainda assim, hoje as coisas eram menos difíceis por contarem com alguém que os entendia daquela maneira.
Se estavam apaixonados? Muito, mas não um pelo outro. O sentimento existente ali era algo ainda muito novo, mas que cheirava a fraternidade pura, daquele tipo que faz você esquecer se o outro ali em frente é ou não do mesmo sexo que você, porque, honestamente, isso não faz diferença, você se identifica com a mente daquela pessoa, não com seus feromônios.
Hoje ele é um rapaz que ri muito mais, tanto que, às vezes, ela tem que mandar ele ficar quieto. Parecem estar menos solitários, provavelmente porque sabem que se a atitude mais drástica for tomada, alguém, ao menos uma pessoa em todo o mundo, vai entendê-los, vai saber o porque disso e não vai ficar julgando se o que foi feito era ou não moralmente certo, porque só quem já carregou, ou carrega esse peso, pode entender o que se faz para se livrar dele.